Evite cicatrizes: como o tratamento correto de queimaduras pode ajudar na recuperação

Queimaduras estão entre as lesões de pele mais frequentes no cotidiano, seja pelo contato com superfícies quentes, líquidos ferventes, exposição solar excessiva ou acidentes domésticos.
Embora muitas ocorram em contextos considerados simples, o manejo inadequado da lesão pode comprometer o processo de cicatrização, favorecer o surgimento de cicatrizes permanentes e até limitar a mobilidade de áreas afetadas, especialmente quando a lesão atinge regiões próximas a articulações.
A pele, maior órgão do corpo humano, exerce funções fundamentais de proteção, regulação térmica e sensibilidade. Quando ocorre uma queimadura, essas funções são temporariamente comprometidas, exigindo cuidados específicos para que o processo de regeneração aconteça de forma adequada.
“A queimadura provoca uma ruptura importante da barreira cutânea. Além da perda da função de proteção contra agentes externos, há danos em estruturas fundamentais, como vasos sanguíneos, terminações nervosas e células responsáveis pela regeneração da pele”, explica a enfermeira Andrezza Silvano Barreto, especialista em cuidados clínicos.
Segundo a especialista, quando a cicatrização ocorre em um ambiente inadequado, marcado por ressecamento, contaminação ou atrito constante, o organismo pode produzir colágeno de forma desorganizada. Esse processo favorece o surgimento de cicatrizes hipertróficas, retrações da pele e limitações funcionais, sobretudo em áreas com maior movimentação, como mãos, braços, joelhos ou ombros.
Nos últimos anos, o avanço de tecnologias voltadas ao tratamento de feridas tem contribuído para melhorar significativamente os resultados clínicos e estéticos em casos de queimaduras.
“Esses materiais atuam mantendo um microambiente controlado sobre a lesão, equilibrando fatores como umidade, proteção contra contaminação e troca gasosa. Um exemplo é a Membracel, desenvolvida pela Vuelo Pharma, um curativo biocompatível à base de celulose cristalina que funciona como um substituto temporário da pele”, afirma Andrezza.
Quando aplicada sobre a lesão, a membrana forma uma barreira protetora que reduz em cerca de 95% a área exposta da ferida, diminuindo significativamente o risco de contaminação e protegendo o tecido em regeneração contra agressões externas.
A estrutura do material é composta por microporos que permitem a troca de gases e facilitam a passagem do excesso de exsudato, líquido liberado naturalmente durante o processo inflamatório, para um curativo secundário. Esse mecanismo ajuda a manter o nível de umidade adequado no leito da ferida, um dos fatores mais importantes para uma cicatrização eficiente e organizada.
Outro benefício importante é o isolamento das terminações nervosas expostas, o que contribui para a redução da dor e do desconforto frequentemente associados às queimaduras. Ao mesmo tempo, a membrana favorece a formação do tecido de granulação, etapa essencial para a reconstrução saudável da pele.
Esse tipo de tecnologia tem sido utilizado no tratamento de diferentes tipos de lesões cutâneas, incluindo queimaduras, úlceras venosas e arteriais, escoriações, lesões por pressão, feridas do pé diabético e feridas cirúrgicas, além de situações em que há perda parcial da epiderme ou da derme.
Andrezza ressalta, no entanto, que o tratamento adequado começa ainda nos primeiros minutos após o acidente. Entre as medidas recomendadas estão resfriar a região atingida com água corrente em temperatura ambiente, evitar a aplicação de substâncias caseiras, como manteiga, pasta de dente ou pomadas não indicadas e procurar avaliação médica em casos que apresentem bolhas, dor intensa ou comprometimento de áreas extensas da pele.
Com o manejo clínico correto e o uso de tecnologias que favorecem a regeneração tecidual, é possível reduzir de forma significativa o risco de cicatrizes e melhorar os resultados funcionais da recuperação. Mais do que uma questão estética, preservar a integridade da pele significa garantir conforto, mobilidade e qualidade de vida ao paciente.

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